Terça-feira, 23 de Agosto de 2005

O acordo ortográfico e o alfabeto

Vamos começar a examinar o acordo ortográfico.

O acordo ortográfico tem vinte e uma divisões, chamadas bases. A Base I intitula-se “Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeirados e seus derivados”. Examinemos a Base I no que se refere ao alfabeto.

Actualmente o alfabeto da língua portuguesa consta de vinte e três letras. Com a entrada em vigor do acordo ortográfico passa a ter as vinte e seis letras seguintes, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:

a A (á), b B (bê), c C (cê), d D (dê), e E (é), f F (efe), g G (gê ou guê), h H (agá), i I (i),
j J (jota), k K (capa ou cá), l L (ele), m M (eme), n N (ene), o O (o), p P (pê), q Q (quê),
r R (erre), s S (esse), t T (tê), u U (u), v V (vê), w W (dáblio), x X (xis), y Y (ípsilon),
z Z (zê).

A novidade está na entrada no alfabeto da língua portuguesa do K, do W e do Y, actualmente considerados letras estranhas ao alfabeto português e usados de modo limitado.

Diz o acordo que os nomes indicados para as letras – o acordo diz que são nomes sugeridos - não excluem outras formas de as designar. É uma nota importante porque há, por exemplo, quem ao M chame “mê”, o que não é incorrecto. Ao Y algumas pessoas, talvez idosas, chamam “i grego”. Sem este nome, seriam incompreensíveis os versos seguintes de João de Deus:

Aquele Manuel do Rego
É rapaz de tanto tino
Que em lírio põe sempre i grego
E em lyra põe i latino.

O nome “capa” para a letra K vulgarizou-se em Portugal. Noutros tempos o nome “cᔠera usado em Portugal. No Brasil a letra chama-se habitualmente “cá”. O Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira era muito conhecido no Brasil pela abreviatura JK, pronunciada “Jotacá”.

O nome “dáblio” para W talvez desagrade a muita gente. Talvez preferissem “vê-duplo” ou “duplo-vê”. Gostaria de saber como lêem a marca de automóveis BMW. De harmonia com a base I, podem chamar-lhe esses nomes. Actualmente em Portugal a maioria das pessoas chama à letra algo parecido com “dâbliu”.

Curiosamente, o dicionário de português da Porto Editora dava ao W numa edição o nome “dáblio” e na edição seguinte a letra ficou sem designação.

Em próximo artigo veremos as razões por que o K, o W e o Y foram introduzidas no alfabeto português.


Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:24
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