Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2006

Hífen (5)

Reparemos na palavra “ano-luz”. É composta de duas palavras palavras – “ano” e “luz”. Uma palavra é colocada depois de outra, conservando cada uma a sua vida própria. Diz-se que uma tal palavra é formada por justaposição.

Na palavra composta “louva-a-deus”, nome dum insecto, existe uma palavra de ligação. O mesmo acontece no nome da localidade “Idanha-a-Nova”. Pelo contrário, em “ano-luz” duas palavras são colocadas uma depois da outra, sem nenhuma outra a ligá-las.

A palavra “ano-luz” é composta de dois nomes ou substantivos. Os seus elementos são de naturaza nominal. Não é obrigatório que palavras de construção semelhante constem só de substantivos. Assim em “amor-perfeito” um elemento é nominal e o outro adjectival, isto é, trata-se dum adjectivo. Em “primeiro-sargento” o primeiro elemento é de natureza numeral, o segundo é um substantivo. Em “guarda-chuva” existe uma forma verbal e um substantivo.

Há casos em que o primeiro elemento se apresenta reduzido. É o caso de “és-sueste”. “És” significa neste caso “este”.

“Semântica” é o estudo da significação das palavras e da evolução do seu sentido. “Ano-luz” significa a distância que a luz percorre durante um ano. A palavra tem um significado próprio. Constitui uma unidade semântica.

Não é fácil explicar o que é um “sintagma”. Para não complicar demasiado, basta-nos saber que, se houver uma combinação de palavras que se seguem e produzem sentido, temos um sintagma. Então, podemos dizer que “ano-luz” é uma unidade sintagmática.

Talvez agora se perceba melhor a norma do acordo ortográfico que se segue.

Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, és-sueste, médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto; alcaide-mor, amor-perfeito, guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-africano; afro-asiático, afro-luso-brasileiro, azul-escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo-infeção, segunda-feira; conta-gotas, finca-pé, guarda-chuva.

A grafia “noturno” deve-se a que o acordo ortográfico está redigido com a ortografia que ele estabelece.

João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 10:43
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