Quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

Viagem a 1929 (2)

Continuemos a nossa viagem a 1929, reparando nalgumas ortografias do “Almanaque Lello” desse ano.

--- Ponto de interrogação invertido ---

No almanaque encontra-se esta pergunta “¿Podem as fábricas não desfear a paisagem?”.

Há muito que o ponto de interrogação invertido, usado no início duma pergunta, acabou em português. A mesma sorte teve o ponto de exclamação invertido. Em espanhol, pelo contrário, continuam a ser usados.

Às vezes ainda se vê em Portugal o ponto de exclamação invertido. Um fulano vai a Madrid e vê o anúncio de “¡¡¡Grandes rebajas!!!” e toca a imitar os espanhóis. Assim aparecem os anúncios de “¡¡¡Sensacionais saldos!!!” e outros semelhantes.

--- Nomes de países e cidades ---

-“Moscou” era no almanaque a capital da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Hoje usa-se “Moscovo” em Portugal. No Brasil continua-se a usar “Moscou”. Lá e cá o habitante da cidade chama-se “moscovita”.
-“Pekim” – Hoje Pequim
-“Cambodge” – Hoje temos “Cambodja” e “Camboja”
-“Berne” – Hoje “Berna”
-“Amsterdam” – Também aparece no almanaque “Amsterdão”. Hoje usamos “Amesterdão” e “Amsterdão”. No Brasil usa-se “Amsterdam” e “Amesterdã”.
-“Yugo-eslávia” – Hoje usamos quase exclusivamente em Portugal a palavra “Jugoslávia” – ou usávamos porque o país desapareceu. No Brasil mantiveram-se sempre mais agarrados a “Iugoslávia” ou à variante “Iugo-eslávia”.
-“Roménia” e “România” – Aparecem as duas palavras; a segunda caiu em desuso.
-“Tchéco-eslováquia” – Não é engano. O acento agudo existe mesmo no almanaque, como existe igualmente em “tchéco”, palavra também constante na publicação. Hoje escrevemos e dizemos em Portugal “Checoslováquia” – poucas vezes porque o país já não existe. Também no Brasil se usa“Checoslováquia”. Durante muitos anos preferia-se no Brasil “Tchecoslováquia” e “Tcheco-eslováquia”, formas que tinham opositores. Os dicionários brasileiros nem sequer registavam a palavra “checo”. Parece que “Checoslováquia” e “checo” são agora as formas preferidas no Brasil.
-“Afghanistan” –Hoje dizemos e escrevemos “Afeganistão”. No almanaque também aparece o adjectivo feminino “afghã”; hoje escrevemos “afegão”no masculino e “afeg㔠no feminino.
-“Teheran”– Em Portugal usamos hoje “Teerão”. No Brasil usam “Teerã”, que parece ser uma forma mais de harmonia com “Teheran”.
- “Uruguay” e “Paraguay” – Estes são os nomes destes países na sua língua oficial – o espanhol. Hoje escrevemos “Uruguai” e “Paraguai”.
-“Egito” – Quando “Egipto” passar a “Egito” com o acordo ortográfico, estaremos a voltar a uma ortografia já usada, o que não impedirá os protestos dos contestatários de qualquer mudança.
-“Bahia” – Nome duma cidade e dum estado do Brasil. Mantém-se esta ortografia com base numa decisão da Academia Brasileira de Letras aplicável a nomes de localidades brasileiras muito antigos e consagrados pelo uso. Nem todos no Brasil concordam com esta ortografia, que não se usa em Portugal. No entanto, de “Bahia” forma-se o substantivo e adjectivo “baiano”, não “bahiano” – também de acordo com a mesma decisão.

--- Estrangeirismos ---

Do almanaque constam muitos estrangeirismos. No artigo anterior vimos vários referentes ao desporto que foram, entretanto, aportuguesados. Quem contesta as formas portuguesas encontradas para substituir essas palavras estrangeiras?

“Chauffeur” é um dos estrangeirismos que se pode encontrar no almanaque. Passariam mais de setenta anos sem a palavra dar lugar em Portugal a “chofer”. No Brasil esta palavra usa-se há décadas. Em Portugal a palavra foi aportuguesada só há três ou quatro anos quando o chamado Dicionário da Academia acolheu a forma “chofer”. Já não era sem ser tempo.

Use sem complexos “chofer”, “dossiê”, “robô” e outras palavras recentemente aportuguesadas em Portugal. Os aportuguesamentos encontram sempre resistência por mais lógicos que sejam.

--- Nomes de reis ---

No almanaque constam os nomes de vários reis. Uns foram traduzidos. É o caso de Jorge V, Eduardo VII e Alexandra, da Grã-Bretanha, Alberto I, da Bélgica e Afonso (Alfonso em espanhol) XIII, da Espanha. Outros ficaram como no original, casos de Wilhelmine, da Holanda, Victor Emmanuel III, de Itália e Haakon V da Noruega.


Autor do artigo: João manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:14
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2005

Viagem a 1929 (1)

--- Nota introdutória---

Fizemos uma consulta ao “Almanaque Lello” de 1929 e registámos algumas ortografias.

A ortografia do almanaque apresenta relativamente à de hoje diferenças certamente, mas sem comparação com a de antes da reforma de 1911. Um texto escrito na ortografia que a reforma de 1911 pôs de lado quase fere os olhos com as suas consoantes dobradas, com a abundância de palavras com Y e carradas de ortografias esquisitas como “archipélago” ou “rhetórica”.

Neste artigo apontam-se algumas ortografias constantes do almanaque, com comentários neste e em futuros artigos.

--- Acento diferencial ---

O almanaque contém muitíssimas palavras com acento circunflexo diferencial. Um exemplo é “Pôrto”. Naquele tempo escrevia-se assim o nome da cidade porque existe “porto”, com “o” aberto, do verbo “portar”.

Já vimos que o acento circunflexo diferencial foi abolido em 1945 em Portugal e em 1971 no Brasil. Parece muito lógico mas obrigava a saber que “tôda” precisava de acento porque na América do Sul existe um pássaro chamado “toda” com “o” aberto. Safa!

--- Trema ---

No almanaque aparece a palavra “constituïção”. O trema sobre o “i” servia para indicar que o “u” e o “i” se separam na pronúncia.

Em “fluido” há ditongo, em “fluidez” não. Para indicar que nesta palavra o “u” e o “i” não se pronunciam juntos escrevia-se antigamente “fluïdez”, com trema sobre o “i”.

Os profetas da desgraça vêm sempre como um cataclismo qualquer reforma ortográfica. Pergunta-se: que mal resultou da abolição deste trema?

No Brasil usa-se o trema em palavras como “tranqüilo, onde serve para indicar que o “u” se lê. Deixará de se usar com a entrada em vigor do acordo ortográfico. Em Portugal não se usa desde 1945.

--- Sciência ---

Ainda se usaria uns anos esta ortografia esquisita. Baseava-se na origem da palavra, mas representava uma enorme e escusada dificuldade para escrever sem erros. Se fôssemos a escrever as palavras de acordo com a sua origem ou etimologia ainda hoje teríamos “rheumatismo”. É pena que, além desta horrível ortografia, não tivéssemos acabado com a doença, ainda mais horrível. Há línguas como o inglês e o francês que mantêm estas ortografias complicadas. Temos de as suportar ao ler e escrever nessas línguas, mas em português foram felizmente postas de parte. Não interessam nada ao utilizador comum da língua.

--- Termos desportivos ---

- “Basket-ball” – Deu origem a “basquetebol”
- “Foot-ball” – Foi aportuguesado como “futebol”. O almanaque contém uma foto de “foot-ballistas portugueses em Amsterdão”. Leu bem - "foot-ballistas", uma palavara meio inglesa, meio portuguesa.
-“Golf” – Aportuguesado como “golfe”
-“Hockey” – Aportuguesado como “hóquei”
- “Crosss-country” – O almanaque explica que se trata da “corrida através dos campos”; hoje chamamos em Portugal a este desporto “corta-mato”. No Brasil usa-se a expressão inglesa.
-“Cross” – O “Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea”, também conhecido por “Dicionário da Academia” aportuguesou esta palavra como “crosse”, que significa o mesmo que “corrida de corta-mato”. “Crosse” é palavra frequentemente ouvida em noticiários desportivos.
-“Ski” – Foi aportuguesado para “esqui”
- “Rugby” – No Brasil traduziram por “rúgbi” atendendo à ortografia do termo inglês; em Portugal houve quem defendesse essa forma, mas o que se ouve e lê é “râguebi”, que atende à pronúncia do nome em inglês deste enérgico desporto.
-“Water-polo” – Hoje diz-se “pólo aquático”
-“Box” – Hoje é “boxe” e continua violento.
-“Tennis” – Aí pelos anos vinte do século passado o dicionário de Cândido de Figueiredo designava este desporto por “tênis”, forma que se usa no Brasil; nós por cá usamos a forma “ténis”. O par “ténis/tênis” e outros darão para grandes discussões num futuro artigo.
-“Équipe” – Termo francês, que foi aportuguesada como “equipa” e “equipe”. A segunda forma já foi mais usada em Portugal. No Brasil, “equipe” é a forma usada.


Autor do artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:24
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005

Alterações ortográficas no Brasil em 1971

Em 1971 o governo brasileiro do Presidente Emílio Médici introduziu alterações na ortografia usada no Brasil, que é, como se sabe, diferente da de Portugal e suas ex-colónias de África e da Ásia.

Uma das alterações consistiu na eliminação do acento grave e do acento circunflexo nos moldes daquela que dois anos mais tarde Marcelo Caetano viria a introduzir em Portugal e seus domínios ultramarinos de então.

Outra alteração consistiu na quase eliminação no acento circunflexo diferencial. Antes desta alteração escrevia-se no Brasil “côrte” com acento para se diferenciar de “corte” com “o” aberto. Escrevia-se “êsse” com acento circunflexo para se distinguir de “esse”, nome da letra “s”. O acento diferencial não foi eliminado na palavra “pôde”.

O acento circunflexo diferencial já tinha sido abolido em Portugal em 1945 e era responsável por à volta de 70% das diferenças de ortografia entre Portugal e o Brasil.
O acento diferencial parece muito lógico. Sem ele podemos ter de descobrir pelo contexto se um e ou o é aberto ou fechado, mas obriga a pessoa a ser enciclopédica. “Nêle” escrevia-se assim porque existe “nele” com “e” aberto. É o nome duma antiga moeda francesa e duma variedadede de arroz na Índia. Imagine-se uma pessoa dos nossos dias a ter que saber da existência da palavra “nele” com “e” aberto para decidir sobre o uso dum acento noutra palavra!

O governo brasileiro deu às editoras de livros e publicações quatro anos para o cumprimento da lei que introduziu estas alterações.

Curiosamente esta lei do governo brasileiro apoia-se num parecer conjunto da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, de 22 de Abril de 1971. As alterações ortográficas introduzidas no Brasil em 1971 e em Portugal e colónias em 1973 foram com certeza concertadas entre as autoridades dos dois países. Não houve um tratado internacional entre Portugal e Brasil, assinado com toda a solenidade e pompa, estabelecendo as alterações, mas deve ter havido acordo para medidas legislativas convergentes. Na prática houve um acordo ortográfico, que funcionou com total eficácia. Isto prova que os acordos ortográficos não estão fatalmente condenados ao fracasso.

Quem parece ter ficado muito contente, apetece dizer vingado, com a eliminação do acento diferencial foi o Ministro da Educação do Brasil de então, Jarbas Passarinho, que num exame escreveu sem acento “toda” com “o” fechado, coisa que os professores não perdoaram. O jovem Jarbas, apesar de Passarinho, tinha esquecido que existe “toda” com “o” aberto, nome dum pássaro vulgar na América do Sul. E você sabia de tal pássaro? Foi muito bem eliminado o acento diferencial. Palmas para os que dum e doutro lado do Atlantico lhe puseram merecido fim!



Autor do artugo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:19
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Domingo, 28 de Agosto de 2005

Alterações ortográficas em Portugal em 1973

Em 1973 o governo do Prof. Marcelo Caetano decidiu acabar com os acentos em palavras como “sòzinho”, “pèzito”, “avôzinho”, “pràticamente”, “sòmente” e “portuguêsmente”. Era Ministro da Educação o Prof. José Veiga Simão, que depois do 25 de Abril desempenhou vários cargos oficiais, incluindo o de ministro.

Com esta alteração o acento grave ficou reduzido a um pequeno número de palavras. Quase desapareceu - sem qualquer prejuízo e com muitas vantagens. No entanto, ouvi o Dr. Mário Sottomayor lamentar em público que o seu amigo José Veiga Simão tivesse tido a ideia de abolir o acento grave em palavras como as citadas. É assim o conservadorismo ortográfico. Verdade seja que o de Cardia não era arrogante e dogmático, ao contrário do de outros, autênticos fundamentalistas que, se pudessem, nos impunham que em vez de farmácia se voltasse a escrever pharmácia.

Curiosamente, na mesma altura Cardia confessou que não sabia que a letra k não fazia parte do alfabeto da lingua portuguesa. Interessante um ex-Ministro da Educação não saber o alfabeto.

Estas simples alterações foram antecidas de muitas outras. Salazar introduziu algumas.

Os nossos fundamentalistas ortográficas sabem que Caetano, Salazar e outros introduziram reformas ortográficas mas não querem que haja mais. Fundamentalismo é fundamentalismo!


Autor do artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 19:23
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Sábado, 27 de Agosto de 2005

Derivados de nomes estrangeiros

Pode uma palavra começar por ç?

Na reforma ortográfica de 1911 o ç (cê-cedilha ou cê-cedilhado) merecia a honra de ser considerado uma letra do alfabeto, seguindo-se ao c. Pela ortografia actual o ç não é uma letra. Também não o é pelo acordo ortográfico de 1990, aquele que se espera venha a ser ratificado e entre em vigor e que nestes artigos muitas vezes designamos simplesmente por acordo ortográfico.

De harmonia com a Base I do acordo ortográfico, letras são as vinte e seis apresentadas em artigo anterior, isto é as vinte e três que aprendemos na escola e ainda o k, o w e o y. Na mesma Base I estabelece-se que, além das vinte e seis letras, se usam o referido ç e os dígrafos rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u ou gê-u) e qu (quê-u). Dígrafo ou digrama é um conjunto de duas letras que representam um único som.

Não existem actualmente palavras começadas por ç, seja maiúsculo seja minúsculo. Se alguém a partir do nome “Conceição” criar a alcunha “Ção”, está a cometir um erro. “São” é que está correcto.

Se o ç fosse considerada uma letra, seria um tanto esquisita por no dicionário não haver palavras começadas por ela. No entanto, poderá haver no futuro. Como assim?
Supunhamos que algum dia surge uma personagem muito importante – na política, na literatura ou noutro domínio – que na sua difícil língua se chama “Çelynperky”. Então, quando quisermos formar uma palavra a partir deste nome como a partir de “Queirós” criamos “queirosiano”, o termo que resultará será “Çelynperkyano”. Oxalá designe algo de bom.

Çelynperkyano! Estranha palavra esta! Talvez, mas também o são “comtiano” (relativo a Auguste Comte, filósofo francês) ou “wronskiano” (relativo a J. M. Wronski, matemático polaco e também o nome dum conceito matemático). Nada que o acordo não preveja. Ainda na Base I, ele estabelece que na formação de derivados a partir de nomes próprios estrangeiros se conservam ortografias estranhas à língua portuguesa que neles existam.


Autor deste artgo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:27
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005

Fundamentalismo ortográfico

Pelo Doutor Vital Moreira, professor de Direito da Universidade de Coimbra

O Acordo Ortográfico recém-assinado entre Portugal, o Brasil e os PALOP levantou em alguns sectores, da mais variada cor política e ideológica, uma onda de crítica e rejeição, que revestiu aspectos aspectos insolitamente apaixonados e radicais.

Um iracundo candidato à presidência da República (da direita, claro!) fez questão de manifestar o seu veemente “repúdio” por essa traição à língua-mãe; um breve e celebrado escritor proclamou a sua determinação em não respeitar o Acordo, decretando resistência civil; dois deputados, usualmente prudentes e esclarecidos, foram ao ponto de declarar a inconstitucionalidade da pretendida alteração da ortografia por acto de autoridade do Poder público; enfim, literatos, escritores, editores e livreiros, e vária gente avulsa mobilizaram-se em defesa da ortografia vigente, contabilizando prejuízos, inventariando cedências e profetizando as desgraças e catástrofes trazidas pela nova ortografia.

Com poucas excepções - em que sobressaem os ponderados argumentos de Óscar Lopes – a oposição e as reservas ao novo convénio ortográfico deixam muito a desejar em matéria de sensatez, razoabilidade, equilíbrio e ponderação. Por minha parte, não possuindo credenciais de linguísta nem de literato, devo confessar como simples cidadão utente da língua, que não entendo a razão para tanto alarido. Na minha opinião, modesta e profana, o Acordo Ortográfico, globalmente considerado – e tanto quanto é possível avaliar pelo que dele se conhece – não só não traz grande mal ao mundo, como pode reclamar-se de consideráveis vantagens sob o ponto de vista da unidade e da universalidade da língua portuguesa.

Descontado o atrevimento, proponho-me explicar a minha posição.

As vantagens e os prejuízos

O que até agora ninguém conseguiu provar é a utilidade em manter, dentro do espaço da língua portuguesa, um grande número de disparidades ortográficas entre a norma portuguesa e a brasileira, que não correspondem a significativas diferenças de pronúncia. Tenho por indiscutível que só existe vantagem em a língua ter, tanto quanto possível, a mesma ortografia em todos os países de que se tornou património comum. Se é possível eliminar consensualmente a maior parte dessas divergências ortográficas, não entendo como se pode deixar de ver aí um mérito, tanto em termos de comunicação recíproca no espaço lusófono, como também em matéria de valorização internacional da língua.

Considero sem valor o argumento adverso de que o Acordo não logra obter a eliminação total das disparidades ortográficas, mantendo duplas grafias num número significativo de palavras. Primeiro, é natural que se mantenham diferenças de grafia lá onde existem diferenças de pronúncia, tendo sido a tentativa de forçar uma unificação total uma das razões do falhanço do frustrado acordo de 1986; segundo, a impossibilidade de unificação absoluta não pode justificar que se mantenham desnecessariamente as diferenças supérfluas. Não existe nenhuma lógica em não se avançar para a convergência possível, só porque não se consegue chegar à meta dos 100 por cento. A redução das divergências, quando significativa, e desde que reconheça e delimite as diferenças remanescentes é sempre positiva. Além do mais, um acordo colectivo nesta matéria cria naturalmente um compromisso de renúncia no futuro a alterações ortográficas unilaterais, as quais no passado foram as principais responsáveis pela criação de diferenças entre as duas normas ortográficas oficiais.

Sem dúvida que uma reforma ortográfica não pode deixar de implicar perturbações e custos mais ou menos elevados em diversos sectores, sobretudo no domínio editorial e educativo. Mas não vejo razão para sobrestimar os custos da reforma. A última mudança ortográfica foi há menos de vinte anos, e não consta que tenha sido uma tragédia, nem quanto à reaprendizagem da escrita, nem em termos de renovação dos fundos bibliográficos. Neste aspecto, são obviamente legítimas as preocupações de editores e livreiros. Mas não há motivo para exagerar os seus prejuízos (uma zelosa defensora dos seus interesses chegou a escrever que as modificações ortográficas farão inutilizar até as fotografias, como se a ortografia afectasse as imagens...). E, sobretudo, não pode dar-se a impressão de que a indústria livreira só vê na actual diferença de normas ortográficas uma espécie de barreira alfandegária contra a concorrência do livro brasileiro.

De qualquer forma, os eventuais custos financeiros e outros não devem ser tão encarecidos, que prevaleçam sobre o interesse político e cultural do Acordo, em termos de unidade e promoção da língua portuguesa.

Nacionalismo e universalismo

Em muitas das tomadas de posição de princípio contra a reforma ortográfica é indisfarçável um mal confessado pressuposto nacionalista, sendo frequentes as menções às alegadas “cedências” perante os interesses brasileiros e à ideia de que o Acordo não é mais do que o alinhamento da ortografia portuguesa pela norma brasileira, implicando alterações apenas para Portugal. Por vezes, não falta mesmo algum rancor no modo como alguns adversários do Acordo se rebelam contra o facto de supostamente irmos passar a escrever “à brasileira”, quando afinal somos nós os Portugueses os criadores originários da língua.

A este respeito penso que, para além de o chauvinismo linguístico ser em geral mau conselheiro, há aqui dois equívocos óbvios. Primeiro, a língua portuguesa não é mais património português do que de qualquer dos outros países lusófonos, não sendo lícito reivindicarmos ou esperar que nos sejam reconhecidos privilégios ou poderes senhoriais, sobretudo quanto estamos longe de ser o mais influente e populoso entre os países de fala portuguesa. Segundo, não existe nenhum desdouro, num processo de negociações internacionais, envolvendo necessariamente transigências de parte a parte, e seria estulto exigir que as modificações tivessem de repartir-se de forma absolutamente paritária. Ora é indiscutível que o Acordo tanto afecte a norma portuguesa (caso da famigerada supressão das consonante mudas) como a norma brasileira (caso da eliminação de certos acentos e do trema) ou ambas ao mesmo tempo (como no caso das novas regras sobre o hífen).

O que importa considerar é se há alguma razão de orgulho nacional para preferir a autarcia ortográfica ao esforço de convergência e de construção de uma norma ortográfica comum a todos os países lusófonos.

Conservadorismo e modernização

Sucede que o argumento nacionalista não é frequentemente mais do que uma conveniente cobertura para um pouco estimável conservadorismo, que resiste por princípio a toda a mudança ortográfica e que faz por ignorar que a actual norma ortográfica é ela mesmo produto de anteriores reformas oficiais, inclusivamente em consequência de acordos luso-brasileiros. Sem elas continuaríamos a escrever pharmácia, lyrio, Emigdio, differença, e assim por diante ...

Sendo a ortografia em grande parte uma convenção, não vejo nenhuma razão para considerar intocável a actual norma, que seguramente não está protegida pela Constituição (pobre desta, se ela pudesse fundadamente ser invocada contra ou a favor de determinada norma ortográfica!...), nem está à guarda exclusiva de algum conselho de sábios, que à semelhança de qualquer fundamentalismo religioso, reserve para si a suprema autoridade sobre a pureza ortográfica da língua

Afinal, não passarão provavelmente muitos anos para que, olhando para trás, recordemos os actuais opositores à mudança ortográfica com a mesma condescendência com que hoje lembramos aqueles que há vinte anos se escandalizaram com o terem de passar a escrever pezinho e rapidamente em vez de pèzinho e ràpidamente...Em matéria de ortografia, nunca é demais uma boa medida de relativismo histórico e de sentido das proporções. E, acima de tudo, ao contrário do que pretendem os guardiões da actual ortografia, a defesa e promoção da língua portuguesa não se confunde com o conservadorismo da sua escrita. Pelo contrário, pode bem suceder que a vitalidade da língua exija uma atempada modernização ortográfica.



Este artigo foi publicado no Diário de Notícias de 1-1-1991. Agradece-se ao jornal e ao autor a transcrição do artigo.


O candidato a presidente da república referido no artigo é Basílio Horta, do CDS. Os dois deputados inimigos do acordo a que se refere o autor são José Magalhães e Jorge Lemos, deputados independentes depois de terem abandonado o Partido Comunista. O segundo rasgou o texto do acordo ortográfico em pleno parlamento numa intervenção contra o mesmo. Vasco Graça Moura, intelectual muito conceituado em todos os quadrantes mas bastante conservador em matéria ortográfica, foi o escritor que incitou à desobediência civil contra o acordo.

publicado por João Manuel Maia Alves às 08:12
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2005

Usos do K, do W e do Y

O acordo ortográfico estabelece que as letras K, W e Y se usam nos seguintes casos especiais:

1) Em antropónimos (nomes de pessoas) originários de outras línguas e seus derivados tais como Franklin, frankliniano; Kant, kantistno; Darwin, darwinismo; Wagner, wagneriano; Byron, byroniano; Taylor, taylorista;

2) Em topónimos (nomes de lugares) originários de outras línguas e seus derivados como Kwanza; Kuweit, kuweitiano; Malawi, malawiano;

3) Em siglas, símbolos e em palavras adoptadas como unidades de medida internacionais: TWA, KLM; K-potássio (de kalium), W-oeste (West); kg-quilograma, km-quilómetro, kW-kilowatt, yd-jarda (yard); Watt.

A introdução destas três letras no alfabético português pelo acordo ortográfico não autoriza que se passem a usar de qualquer maneira. Não permite, por exemplo, a que, por ignorância ou desleixo, se escreva kilo em vez de quilo.

Infelizmente a incúria surge donde menos se espera. Vamos dar dois exemplos.
Um jogo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, associado ao Totoloto, chama-se Joker. À luz da actual ortografia e do acordo ortográfico, este Joker é um mamarracho linguístico de que a Santa Casa deveria ter vergonha. Tendo tanta gente culpa e responsável, por que razão é que o jogo não se chama Jóquer? Se a Santa Casa dá maus exemplos destes, o que é de esperar do cidadão comum?

No último campeonato europeu de futebol a mascote era um boneco chamado Kinas. Já no último campeonato do mundo, disputado na Coreia do Sul, a escolha do nome dos jogadores portugueses tinha sido bem infeliz – tugas, designação depreciativa dada nas antigas colónias africanas aos portugueses. Agora vieram com o Kinas, outro mamarracho. É pena que quem manda no futebol nacional, além de tratar de pontapés na bola, dê pontapés na língua.



Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:18
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2005

X, Y e Z no alfabeto português

A propósito da constituição do alfabeto consultámos um dicionário publicado à volta de 1890. Vejamos antes do mais como ele se descreve a si próprio:

OS DICCIONARIOS DO POVO
PROPAGANDA DE INSTRUCÇÃO
PARA PORTUGUEZES E BRASILEIROS
No. 1

DICCIONARIO DA LINGUA PORTUGUESA
ETYMOLOGICO
PROSODICO E ORTHOGRAPHICO

3ª. EDIÇÃO CORRECTA E AUGMENTADA

LISBOA
COMPANHIA NACIONAL EDITORA
SUCCESSORA DE
DAVID CORAZZI E JUSTINO GUEDES
SÉDE: RUA DA ATALAYA, 40 A 52, LISBOA

Deliciosa a ortografia da primeira folha desta obra com aproximadamente 114 anos! Ainda há pessoas como Freitas do Amaral que se opõem ao acordo ortográfico dizendo que a ortografia duma língua se estabelece lentamente ao longo dos séculos!

Neste “diccionário” o K e o Y são consideradas como pertencentes ao alfabeto português, que constava então de vinte e cinco letras. Quanto ao W, era considerado “lettra das línguas do Norte, e usada em portuguez unicamente nas palavras derivadas d’ essas línguas”.

Vemos então que o W já vivia na clandestinidade. A reforma ortográfica de 1911, já depois da implantação da República, expulsou o K e o Y do alfabeto português. Ficaram na mesma situação que o W. Assim chegámos ao alfabeto que aprendemos na escola e que, com o acordo ortográfico, vai acolher o K, o W e o Y, que deixam de ser letras estrangeiras para passar a ser, de pleno direito, letras do alfabeto português.

Por que razão teriam o K, o W e o Y sido excluídas do alfabeto português? Tentemos encontrar respostas a esta pergunta.

No referido dicionário do fim do século XIX muito poucas palavras começavam por K. Uma era “kágado”, substituída por “cágado”. Outra era “kilómetro”, substituída por “quilómetro”. O K foi substituído por C ou por QU.

A reforma de 1911, ampliou as razões para manter o W proscrito. Nas palavras começadas por W esta letra foi substituída por U ou V.

O Y era antes de 1911 uma letra muita usada em português. Era usada no início de muito poucas palavras como “yttrio”, nome dum metal. Era usada no meio de muitas palavras por razões de etimologia ou seja origem das palavras – “physica”, “lyra”, “lyrio”, “physiologia”, etc, etc. Foi felizmente substituído pelo I.

Com estas substituições as três letras proscritas ficaram reduzidas a abreviaturas internacionais como Kg e a palavras derivadas de certos nomes estrangeiros como “kantiano”, relativo ao filósofo alemão Kant. As três pareciam reduzidas a zero. Parecia lógico manter o W fora do alfabeto e dar a mesma sorte ao K e ao Y.

Noutros tempos, na escola primária, ouvia-se falar do K já tarde, quando se estudavam as medidas de comprimento, de superfície e de capacidade. Para quem saía do ensino primário, o K, o W e o Y eram letras na prática quase inexistentes.

Para quem vivia nas colónias de África as três letras banidas podiam parecer familiares. Muitas pessoas tinham nomes africanos, frequentemente com uma ou mais das três letras, usuais nas línguas de África. Também em certas minorias como os indianos ou paquistaneses, numerosos antigamente em Moçambique, se atribuíam nomes com letras fora do alfabeto.

No Brasil a situação do K, do W e do Y é igual à de Portugal – letras não pertencentes ao alfabeto português, usadas em casos especiais.

O Anexo II ao acordo, que o explica, dá três razões para a inclusão do K, do W e do Y no alfabeto português:

1) Os dicionários já registam as três letras, existindo um razoável número de palavras do léxico português por elas iniciadas

2) Na aprendizagem do alfabeto é necessário fixar qual o lugar que elas ocupam

3) Nos países africanos de língua oficial portuguesa existem muitas palavras que se escrevem com aquelas letras.

A palavra léxico, usada no ponto 1, significa conjunto de palavras duma língua.

Relativamente ao ponto 3, diga-se que as três letras são usadas em muitos nomes e apelidos de pessoas e também em nomes de localidades, rios e províncias, como “Kunene”, “Kwanza”, “Kuando-Kubango”, “Kuito” e “Soyo” em Angola e “Chokwè” em Moçambique. “Kwanza” é também o nome da moeda de Angola. A abreviatura é Kz.
A merecida inclusão do K, do W e do Y no alfabeto não significa que se possam usar de qualquer maneira, mas isso é assunto para outro artigo.


Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:27
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Terça-feira, 23 de Agosto de 2005

O acordo ortográfico e o alfabeto

Vamos começar a examinar o acordo ortográfico.

O acordo ortográfico tem vinte e uma divisões, chamadas bases. A Base I intitula-se “Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeirados e seus derivados”. Examinemos a Base I no que se refere ao alfabeto.

Actualmente o alfabeto da língua portuguesa consta de vinte e três letras. Com a entrada em vigor do acordo ortográfico passa a ter as vinte e seis letras seguintes, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:

a A (á), b B (bê), c C (cê), d D (dê), e E (é), f F (efe), g G (gê ou guê), h H (agá), i I (i),
j J (jota), k K (capa ou cá), l L (ele), m M (eme), n N (ene), o O (o), p P (pê), q Q (quê),
r R (erre), s S (esse), t T (tê), u U (u), v V (vê), w W (dáblio), x X (xis), y Y (ípsilon),
z Z (zê).

A novidade está na entrada no alfabeto da língua portuguesa do K, do W e do Y, actualmente considerados letras estranhas ao alfabeto português e usados de modo limitado.

Diz o acordo que os nomes indicados para as letras – o acordo diz que são nomes sugeridos - não excluem outras formas de as designar. É uma nota importante porque há, por exemplo, quem ao M chame “mê”, o que não é incorrecto. Ao Y algumas pessoas, talvez idosas, chamam “i grego”. Sem este nome, seriam incompreensíveis os versos seguintes de João de Deus:

Aquele Manuel do Rego
É rapaz de tanto tino
Que em lírio põe sempre i grego
E em lyra põe i latino.

O nome “capa” para a letra K vulgarizou-se em Portugal. Noutros tempos o nome “cᔠera usado em Portugal. No Brasil a letra chama-se habitualmente “cá”. O Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira era muito conhecido no Brasil pela abreviatura JK, pronunciada “Jotacá”.

O nome “dáblio” para W talvez desagrade a muita gente. Talvez preferissem “vê-duplo” ou “duplo-vê”. Gostaria de saber como lêem a marca de automóveis BMW. De harmonia com a base I, podem chamar-lhe esses nomes. Actualmente em Portugal a maioria das pessoas chama à letra algo parecido com “dâbliu”.

Curiosamente, o dicionário de português da Porto Editora dava ao W numa edição o nome “dáblio” e na edição seguinte a letra ficou sem designação.

Em próximo artigo veremos as razões por que o K, o W e o Y foram introduzidas no alfabeto português.


Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:24
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005

Polémicas ortográficas

Quando se fala em alterações ortográficas, surgem sempre pessoas manifestando a sua oposição, em muitos casos com o entusiasmo e o fanatismo com que alguém se junta a uma cruzada ou a uma guerra de guerrilhas. Foi assim com o acordo ortográfico de 1990. Aconteceu o mesmo com alterações anteriores.

A Drª Edite Estrela mostra uma certa compreensão e tolerância por este fenómeno. Citemos um parágrafo do seu magnífico livro “A Questão Ortográfica – Reforma e Acordos da Língua Portuguesa”: “As mudanças ortográficas interferem com os hábitos de escrita de cada falante; mexem com automatismos adquiridos em anos de prática; perturbam as rotinas e geram contestação”.

Seja, mas custa a perceber o exagero de certas reacções de pessoas cultas. Por exemplo, em tempos idos o académico brasileiro Carlos de Laet ridicularizou a mudança de “kágado” para “cágado”. Também em tempos que já lá vão, o escritor Teixeira de Pascoaes mostrava saudades por duas “perdas” que iam ocorrer. Referia-se ao desaparecimento do ípsilon em “abysmo” e em “lyrio”. Converter as duas palavras em abismo e lírio seria fazê-las perder o sentido. O ípsilon daria, segundo Pascoaes, a ideia de profundidade a “abysmo” e elegância a “lyrio”. Tudo isto parece simplesmente ridículo a pessoas do nosso tempo.

A reforma de 1911 introduziu alterações que nos parecem perfeitamente sensatas. Quem defende hoje ortografias como “theatro”, “asthma”, “rheumatismo”, “polyphonia”, “christão” ou “archipélago”? No entanto, essa reforma, que devia ter sido feita muito antes, recebeu adjectivos terríveis. Antifilosófica, inoportuna, contraproducente, selvagem e ridícula foram alguns dos impropérios com que foi mimoseada. Dir-se-ia que os promotores de tal reforma eram um bando de malfeitores bárbaros, ignorantes e inimigos da língua portuguesa, contra a qual teriam praticado horroroso crime. A história repete-se. Há poucos anos voltámos a ouvir adjectivos e críticas semelhantes. “Crime sem perdão” foi a assanhada expressão usada por um crítico do acordo ortográfico de 1990, pessoa ainda relativamente jovem e de elevado nível cultural. Parece mentira, mas não é. Como é possível pessoas cultas e responsáveis dizerem tais enormidades, dignas de figurarem numa antologia do disparate?

Em futuros artigos examinaremos em detalhe as regras estabelecidas pelo acordo e veremos se são ou não bem fundamentadas.

Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:28
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