Sábado, 27 de Agosto de 2005

Derivados de nomes estrangeiros

Pode uma palavra começar por ç?

Na reforma ortográfica de 1911 o ç (cê-cedilha ou cê-cedilhado) merecia a honra de ser considerado uma letra do alfabeto, seguindo-se ao c. Pela ortografia actual o ç não é uma letra. Também não o é pelo acordo ortográfico de 1990, aquele que se espera venha a ser ratificado e entre em vigor e que nestes artigos muitas vezes designamos simplesmente por acordo ortográfico.

De harmonia com a Base I do acordo ortográfico, letras são as vinte e seis apresentadas em artigo anterior, isto é as vinte e três que aprendemos na escola e ainda o k, o w e o y. Na mesma Base I estabelece-se que, além das vinte e seis letras, se usam o referido ç e os dígrafos rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u ou gê-u) e qu (quê-u). Dígrafo ou digrama é um conjunto de duas letras que representam um único som.

Não existem actualmente palavras começadas por ç, seja maiúsculo seja minúsculo. Se alguém a partir do nome “Conceição” criar a alcunha “Ção”, está a cometir um erro. “São” é que está correcto.

Se o ç fosse considerada uma letra, seria um tanto esquisita por no dicionário não haver palavras começadas por ela. No entanto, poderá haver no futuro. Como assim?
Supunhamos que algum dia surge uma personagem muito importante – na política, na literatura ou noutro domínio – que na sua difícil língua se chama “Çelynperky”. Então, quando quisermos formar uma palavra a partir deste nome como a partir de “Queirós” criamos “queirosiano”, o termo que resultará será “Çelynperkyano”. Oxalá designe algo de bom.

Çelynperkyano! Estranha palavra esta! Talvez, mas também o são “comtiano” (relativo a Auguste Comte, filósofo francês) ou “wronskiano” (relativo a J. M. Wronski, matemático polaco e também o nome dum conceito matemático). Nada que o acordo não preveja. Ainda na Base I, ele estabelece que na formação de derivados a partir de nomes próprios estrangeiros se conservam ortografias estranhas à língua portuguesa que neles existam.


Autor deste artgo: João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:27
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