Domingo, 30 de Outubro de 2005

Palavras agudas e graves

Existem algumas (poucas) palavras agudas ou oxítonas terminadas em “e” e “o” com pronúncias ora abertas ora fechadas. Recorde-se que palavras agudas ou oxítonas são as que têm acento tónico na última sílaba, como, por exemplo, “café”. Essas palavras de pronúnca oscilante vêm, em geral, do francês. Poderão escrever-se com acento agudo ou circunflexo. São exemplos “croché” e “crochê”, “bebé” e “bebê”, “guiché” e “guichê”. São igualmente admitidas formas como “judo” a par de “judô” e “metro”, no sentido de “metropolitano”, a par de “metrô”. Os pares de cada uma destas formas têm o acento tónico em sílabas diferentes.

Falemos agora de palavras graves ou paroxítonas, isto é com o acento tónico na penúltima sílaba.
No começo do século XX o dicionário de Cândido de Oliveira, registava a ortografia “tênis”. Acabou por não vingar em Portugal, mas é a que se usa no Brasil. Para um pequeno número de palavras graves com oscilacões de pronúncia o acordo prevê ortografias duplas. São exemplos: “ténis” e “tênis”, “bónus” e “bônus”, “Vénus” e “Vênus”.

Os ditongos “oi” e “ei” em sílaba tónica de palavras graves não levam acento. “Intróito” passa a “introito”, “bóia” passa a “boia”. Os brasileiros deixam de pôr acento em palavras como “idéia” ou “assembléia”, as quais em Portugal não são acentuadas há muito tempo.

Esta regra é muito importante. Nas pronúncias cultas da língua os referidos ditongos têm oscilações de pronúncia. Os brasileiros acentuam o ditongo “ei” quando é aberto. Não haveria grande problema em palavras como “idéia” e “assembléia”. O pior é que no Brasil o ditongo “ei” de “europeia” é aberto e, por isso, de acordo com as suas regras actuais, os brasileiros escrevem “européia”, pondo um acento agudo numa vogal que para outros falantes do português é fechada. Igualmente escrevem “Coréia”. Passarão a escrever “Coreia”, continuando a pronunciar a palavra como actualmente.

Em Portugal, “dezoito” é “dezôito” no norte e “dezóito” no sul. “Comboio” e “dezoito” já não levam acento por causa de o ditongo “oi” ser aberto para uns e fechado para outros. O acordo vai mais longe e, eliminando alguns acentos, acaba com divergências ortográficas, algumas graves. O Brasil elimina mais acentos que Portugal.
No Brasil escrevem “enjôo” e “vôo”. Deixarão de usar o acento circunflexo. Não se vê a necessidade deste acento. Desaparecerá, assim, mais uma divergência.


Artigo escrito por João Manuel Maia Alves
publicado por João Manuel Maia Alves às 10:56
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. Convite

. Acordos de 1990 e 1945

. Boas notícias

. Notícias do acordo ortogr...

. Ortografia – uma convençã...

. Reformas ortográficas

. São Tomé e Príncipe ratif...

. Contrações incorretas

. Guiné-Bissau e Acordo Ort...

. Cimeira e acordo ortográf...

.arquivos

. Maio 2010

. Março 2008

. Novembro 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds